A organização de espaços acolhedores, o planejamento das atividades e a aproximação com a comunidade foram os principais temas do painel “Organização e Modernização de Bibliotecas: Caminhos para uma Gestão Eficiente e Inovadora”, realizado na manhã desta sexta-feira (31), no auditório da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Cuiabá. Conduzida pelas bibliotecárias Waldineia Almeida e Alessandra Assis, a atividade integrou o encerramento do Programa de Capacitação para o Fortalecimento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Mato Grosso, que reuniu representantes de 121 municípios.Waldineia defendeu que as bibliotecas deixem de ser vistas somente como locais destinados à guarda de livros e sejam organizadas para receber diferentes públicos.
“A biblioteca é um projeto vivo. A gente precisa parar de olhar para ela como um depósito ou apenas como um lugar de guarda do conhecimento. Desde a arquitetura e o planejamento, ela precisa ser pensada como um projeto vivo”, afirmou.Segundo a bibliotecária, a modernização não depende apenas de grandes investimentos, mas também da disposição dos móveis, iluminação, ventilação, limpeza, sinalização, acessibilidade e atendimento humanizado.
“Um bom espaço não depende apenas de recurso financeiro, depende principalmente de planejamento. A biblioteca deve responder às necessidades das crianças, dos jovens, dos idosos, dos pesquisadores, das pessoas com deficiência e da comunidade em geral”, destacou.
Entre os exemplos positivos citados durante a palestra estão Sorriso, reconhecido pelo cuidado com a limpeza e a conservação do espaço; Primavera do Leste, pela sinalização e pelo mapa de orientação aos usuários; e a Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça, em Cuiabá, que recebeu avaliações positivas pelo atendimento prestado ao público. Waldineia também lembrou iniciativas desenvolvidas em Juína e Sapezal para ampliar o sentimento de pertencimento da comunidade.
“O melhor acervo do mundo perde o valor quando o atendimento é ruim. Atender não significa apenas carimbar e emprestar livros. Significa ouvir, orientar, acolher e resolver problemas”, disse.
Na sequência, Alessandra Assis reforçou que as bibliotecas devem romper com a imagem de ambientes fechados, silenciosos e voltados exclusivamente ao empréstimo de livros. Para ela, esses espaços possuem papel ainda mais relevante em municípios que não contam com cinemas, teatros ou outros equipamentos culturais.
“A grande maioria dos nossos municípios não tem cinema, shopping ou teatro. Muitas vezes, a cultura vai acontecer dentro da biblioteca. Ela é o encontro do usuário com a comunidade e com as diferentes expressões culturais”, afirmou.
Alessandra destacou as bibliotecas de Campos de Júlio, Sapezal, Juína e Querência como referências no Estado. Campos de Júlio foi citada como um laboratório de experiências audiovisuais, leitura, arte, música e dança. Querência foi lembrada como um espaço vivo e dinâmico, que reúne ações culturais e preservação da memória do município.
“Biblioteca é política pública. Não é só o prédio, não é só o acervo e não é um depósito de livros antigos. Ela precisa se colocar como um equipamento cultural ativo, capaz de fomentar e apoiar os fazedores de cultura do município”, ressaltou.
A bibliotecária também defendeu que as pessoas sejam reconhecidas como o principal patrimônio desses espaços e que atividades como música, teatro, dança, exposições, jogos e contação de histórias sejam utilizadas para atrair novos públicos.
“Nós precisamos começar a pensar a biblioteca para quem não gosta de ler. Quem já é leitor frequente não precisa ser convencido a entrar. Aquele que não gosta pode ser atraído pelo equipamento cultural e, depois, ser conquistado para a leitura”, explicou.
Ao final, as palestrantes reforçaram que cada município deve conhecer sua realidade antes de definir ações e calendários.
“Planejamento tem intencionalidade. É saber aonde se quer chegar e pensar ações estratégicas para formar leitores e construir público. O que funciona em um município não necessariamente funcionará em outro”, concluiu Alessandra.
A programação da manhã também contou com apresentações dos sistemas Estadual e Nacional de Bibliotecas Públicas. No período da tarde, o encontro segue com a entrega de Moções de Aplausos aos municípios que implantaram seus planos municipais e com a certificação dos participantes.